Euro2000: Campeonato Europeu de Futebol - www.europeu.com

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Actualizado em: 15.02.2004

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França 2 - Itália 1,
ITÁLIA NÃO SEGUROU VANTAGEM NOS ÚLTIMOS SEGUNDOS

 

França-Itália, 2-1 (a.p.): «Banco» rico financia mais um título gaulês

 

Wilford, Trezeguet e Robert Pires decidiram. A Itália perdeu-se por não fazer, na parte final, a contenção de que é acusada de ser especialista e, além do mais, desperdiçara anteriormente, sempre por Del Piero (58 e 83), duas excelentes oportunidades para resolver o jogo

 

Roterdão - A França derrotou a Itália por “golo dourado” e juntou o título europeu ao mundial, após uma final emocionante em que ganhou o direito ao prolongamento nos últimos segundos.

Foram três os heróis desta reviravolta inesperada num jogo com tons de dramatismo: Wilford, Trezeguet e Robert Pires, os suplentes que Roger Lemerre lançou e fabricaram os dois golos. Trezeguet assistiu para o primeiro, de Wilford, e estoirou violentamente para a decisão após um trabalho do ex-português Robert Pires.

Ao minuto 103 os franceses entravam em delírio e os italianos, que tão perto tinham estado da meta, caíram em lágrimas sobre o relvado. Estivera quase a terminar o “jejum” de 18 anos de êxitos, iniciado no Mundial de Espanha-92, e que tem agregado uma série de episódios infelizes que já incluíram mesmo uma outra final perdida nas grandes penalidades (Mundial-98, com o Brasil).

Esta final tem pontos de contacto com a do Inglaterra-96 (“golo dourado” de Bierhoff, também suplente, na vitória da Alemanha sobre a República Checa) mas foi muito mais emocionante.

A Itália teve o título na mão e a festa já tinha mesmo começado quando Wilford fez o empate, depois de uma perda de bola um tanto infantil do ataque italiano ter aberto a possibilidade de um último ataque francês. Pessotto metera a bola em Totti, mas o avançado, fisicamente “em baixo”, recuava no terreno a passo e estava em posição de fora-de-jogo. Nasceu a falta e o lançamento para o lance do empate. A Itália perdeu-se por não fazer, na parte final, a contenção de que é acusada de ser especialista e, além do mais, desperdiçara anteriormente, sempre por Del Piero (58 e 83), duas excelentes oportunidades para resolver o jogo.

O grande mérito da França, que na fase decisiva deste Europeu não mostrou a superioridade tantas vezes reconhecida e até acabou por voltar a ser feliz, resultou da capacidade de lutar e acreditar até ao fim. Deschamps foi um comandante intratável no dia em que Zidane, sem espaço, andou perdido, tal como Djorkaeff. Valeu à França o “banco” de luxo, no qual se acotovelam jogadores que noutras equipas dariam excelentes titulares.

Para a maioria dos observadores a vitória francesa celebrará o predomínio do futebol de ataque, da equipa que arrisca, perante o calculismo de um adversário que se organiza bastante atrás, oferece a iniciativa e pratica o contra-ataque. É um facto. Mas nos 90 minutos deste jogo a Itália até contrariou a tendência para ter menos posse de bola (52% contra 48%) e criou as melhores oportunidades de marcar, se bem que acabasse por pertencer à França o maior número de remates e cantos.

O “catenaccio” não é, de qualquer maneira para o futebol italiano, historicamente construído a partir de trás, nem uma necessidade nem uma forma de defender a todo o transe. É uma forma de ver o jogo. Um esquema em que se sentem mais à vontade para praticarem um futebol de inegável qualidade técnica. Isso também se comprovou na bonita festa de Roterdão, que encerrou com chave de ouro uma competição de grande nível, como há muito não se via num Campeonato da Europa.

É tão justa a vitória da França como seria a da Itália.

Na França saiu Petit, talvez em consequência do estado febril dos últimos dias. A equipa voltou ao 4x2x3x1, com Henry em ponta, apoiado por Djorkaeff, na direita, Zidane e Dugarry, na esquerda. A Itália dispôs-se no 3x5x2 habitual. Del Piero regressou ao banco e na frente, em vez de Inzaghi, surgiu Delvecchio (que só tinha jogado 68 minutos repartidos por dois jogos) escoltado por Totti e Fiore.

O realismo da alta competição na fase derradeira retirou à França a afoiteza de movimentos que a caracteriza. O meio-campo italiano, duro a defender mas com um toque de bola superior (ao de Portugal, por exemplo), fez o resto e afastou a bola das balizas durante a quase totalidade dos primeiros 45 minutos.

As acelerações de Henry foram a excepção ao futebol nada incisivo da equipa de Lemerre.

Na segunda metade viu-se um jogo diferente. A Itália marcou cedo, numa jogada bonita iniciada num toque inteligente de Totti (de calcanhar) e finalizada por Delvecchio. E esse golo abriu o jogo.

O problema do ataque da França começou no eclipse de Zidane. A Itália fez um “pressing” eficaz e a ele só escapou a explosiva velocidade do eléctrico Thierry Henry, um jogador que aos 22 anos, com os dois maiores títulos no currículo, é já uma grande certeza do futebol mundial e não apenas o rapazinho esperançoso em que Aimé Jacquet um dia acreditou - tal como acreditou em Trezeguet, a alma gémea de Henry.

Dino Zoff geriu bem o refrescamento da equipa. Lançou Del Piero, Ambrosini, Montella. Recuou Totti. As oportunidades surgiram também pelo avanço da França no terreno, em especial de Thuram.

A França não retirou muito proveito táctico das substituições. Melhorou um pouco porque saíram duas nulidades (Djorkaeff e Dugarry). A entrada de Pires a render Lizarazu foi o acto de desespero do treinador que tem de fazer algo e, mais do que fazer bem, pode dispor de opções de qualidade.

A Itália falhou as oportunidades que teve. A França foi feliz nos últimos segundos. A partir daqui o estado de espírito das equipas era diametralmente oposto para o prolongamento. Foi também isso que esteve retratado na alegria com que Robert Pires, o ex-português, correu pelo flanco esquerdo e destroçou toda a oposição (de Canavarro, que estivera tão bem) até oferecer o golo a Trezeguet e mais um título à França. Fica bem entregue.

Excelente arbitragem de Anders Frisk, da Suécia.


França é a nova campeã da Europa


Já são conhecidas as equipas para a final do Euro-2000 entre a França e a Itália, que decorre no Estádio De Kuip, em Roterdão, a partir das 19 h, com arbitragem do sueco Anders Frisk. 

Itália - Toldo; Cannavaro, Nesta e Iuliano; Pessotto, Albertini, Fiore, Di Biagio e Maldini; Totti e Del Vecchio
França - Barthez; Thuram, Blanc, Desailly e Lizarazu; Deschamps e Vieira; Dugarry, Zidane e Djorkaeff; Henry

 

1': Começou a final do Europeu! Saiu a Itália 

1': França cria perigo, com arrancada de Henry na esquerda, e Itália responde de imediato com Del Vecchio perto de Barthez 

3': Itália beneficia do segundo canto num início de jogo frenético. Totti falha por pouco a emenda de cabeça 

5': Henry remata da direita, Toldo controla a trajectória da bola, mas esta ainda embate no poste 

7': Fiore cruza da direita, mas Del Vecchio, em óptima posição, falha o remate; França repsonde de imediato

24': Baixa o ritmo de jogo, depois de um início fulgurante 

30': cartão amarelo a Di Biagio, por derrubar Henry perto da área italiana 

33': Cannavaro dá uma cotovelada na cabeça de Dugarry numa disputa de bola pelo ar; o árbitro não vê 

38': Henry ultrapassa dois adversários, atira para a área e Djorkaeff remata para a defesa segura de Toldo 

41': cartão amarelo a Cannavaro por falta sobre Henry 

41': Desailly dá cotovelada em Cannavaro na sequência do livre decorrente do lance anterior; uma vez mais Anders Frisk não vê o lance, ocorrido no meio da confusão na área italiana 

45': Intervalo na final do Europeu. Depois de um início de jogo electrizante, com ritmo de parada e resposta em termos de criação de situações de perigo, as duas equipas aproximaram-se das suas características. A Itália opta por defender com coesão, gozando de superioridade numérica permanente no seu meio-campo, e a França tenta a circulação de bola como forma de ludibriar o adversário.
Em face do resultado, terá de dizer-se que a Itália esta a interpretar melhor o seu papel, sendo que esta equipa também nunca deixou, bem ao seu jeito, de criar ocasiões de perigo em venenosos contra-ataques.

46': Reinício da partida. Nenhuma das equipas efectuou qualquer substituição 

47': Henry cria perigo, mas Cannavaro efectua corte providencial

52': substituição na Itália: Del Piero rende Fiore 

54': GOLO DA ITÁLIA: Pessoto cruza da direita após grande passe de calcanhar de Totti, e Del Vecchio empurra facilmente a concluir bela jogada 

57': substituição na França: Wiltord entra para o lugar de Dugarry 

57': cartão amarelo a Thuram 

58': Totti isola Del Piero, que falha frente a Barthez 

62': Zidane desmarca Wiltord, que remata da esquerda para a defesa de Toldo 

65': substituição na Itália: Di Biagio dá lugar a Ambrosini 

68': Zidane bate um livre, Henry fica em boa posição, mas permite a intervenção de Toldo 

69': Totti, em mais um momento de brilhantismo, desmacra Del Vecchio para um remate perigoso ao lado da baliza de Barthez

75': substituição na França: Trezeguet rende Djorkaeff 

84': Del Piero volta a falhar o 2-0, sensivelmente do mesmo local de há pouco 

85': substituição na França: Lizarazu sai para entrar Pires; substituição na Itália: Del Vecchio, autor do golo, sai para a entrada de Montella 

90': Frisk concede quatro minutos de desconto

93': GOLO DA FRANÇA: a um minuto do fim dos descontos, Wiltord empata o jogo com um remate de pé esquerdo e obriga ao prolongamento; Toldo, habitualmente mãos de ferro, parece mal batido 

94(+)': Final dos 90 minutos 

90': Início do prolongamento. Quem marcar vence. Se não houver golos, procede-se ao desempate por penalties 

102': GOLO DA FRANÇA: a França sagra-se campeã da Europa com um golo de Trezeguet, a concluir excelente jogada de Robert

 


 



 

 

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