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Actualizado em: 15.02.2004

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ESPANHÓIS TIVERAM O MÉRITO DE ACREDITAR ATÉ AO FIM

 

Jugoslávia-Espanha, 3-4: A «raça» faz o milagre num final incrível

 

Já se entrara em período de compensações, a Jugoslávia parecia ter o jogo controlado, quando os espanhóis viraram o 3-2 para 3-4; os jugoslavos com um meio-campo muito macio, assentaram jogo quando ficaram reduzidos a dez unidades...

 


BRUGGE – Um final impróprio para cardíacos selou a passagem dos espanhóis aos quartos-de-final, com a marcação de dois golos em período de compensações, beneficiando de o árbitro ter concedido sete minutos de tempo extra que o desenrolar do jogo, de todo, não justificou. A Espanha teve o mérito de acreditar até ao fim, de nunca baixar os braços, uma virtude característica do jogador espanhol, mas voltou a evidenciar debilidades que não auguram que vá além dos quartos-de-final, embora em futebol tudo seja possível.

De resto, o lance do “penalty” que dá origem ao golo, já para além do nonagésimo minuto, deixou dúvidas em relação à existência de uma falta que justificasse punição tão severa. Por outro lado, os espanhóis jogaram durante a última meia hora de jogo com mais uma unidade em campo, na sequência da expulsão de Jokanovic, mas, estranhamente, a partir daí começaram a emperrar o seu jogo, a dar sinais de um nervosismo que lhes foi retirando clarividência, que se agravaria no último quarto de hora, quando Komljenovic fez o 3-2. Nesse momento, os jugoslavos já levavam doze minutos a jogar com menos uma unidade, fase essa que, curiosamente, coincidiu com uma estabilização do seu jogo. Dizendo de outro modo, os jugoslavos passaram a jogar melhor com dez unidades do que o tinham feito antes com onze.

Para isso muito contribuiu a entrada de Saveljic, aos 68', para terceiro central, o que permitiu equilibrar em termos defensivos uma equipa com francas debilidades em termos de marcação a meio-campo, além de uma dupla de centrais pesada e com pouca mobilidade. De resto, a entrada de Govedaric ao intervalo já restabelecera alguma capacidade de cobertura ao meio-campo, onde abundam os artistas já a acusar o peso dos anos.

A Espanha foi uma equipa mais compacta e equilibrada até ao intervalo. Sofreu um golo aos 30' contra a corrente do jogo, mas à beira do intervalo restabeleceu o empate e Etxeberria falhou incrivelmente o 2-1 em cima da hora. Faltava claramente aos espanhóis um organizador de jogo (que não pode ser Guardiola), mas a sua agressividade na recuperação da bola e o facto de jogarem com os sectores mais próximos uns dos outros permitiram-lhes deter a iniciativa e o ascendente no jogo.

O resultado ao intervalo era lisonjeiro para os jugoslavos. Estes chegaram ao 2-1 (lance de inspiração de Drulovic), mas no minuto seguinte os espanhóis anularam a vantagem. Tudo se decidiu após a expulsão de Komljenovic: quando se esperava o "assalto final" de "nuestros hermanos" foi a Jugoslávia a assentar o seu jogo e a dar sinais de maior serenidade (o empate bastava-lhes para o apuramento). Depois foi aquele final incrível, quando já ninguém acreditava na reviravolta...

 

Fonte: Record

 

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