|
| |
|
ESPANHÓIS
TIVERAM O MÉRITO DE ACREDITAR ATÉ AO FIM
Jugoslávia-Espanha,
3-4: A «raça» faz o milagre num final incrível
Já se entrara em período de compensações, a Jugoslávia
parecia ter o jogo controlado, quando os espanhóis viraram o
3-2 para 3-4; os jugoslavos com um meio-campo muito macio,
assentaram jogo quando ficaram reduzidos a dez unidades...

|
BRUGGE – Um final impróprio para cardíacos selou a
passagem dos espanhóis aos quartos-de-final, com a marcação
de dois golos em período de compensações, beneficiando de o
árbitro ter concedido sete minutos de tempo extra que o
desenrolar do jogo, de todo, não justificou. A Espanha teve o
mérito de acreditar até ao fim, de nunca baixar os braços,
uma virtude característica do jogador espanhol, mas voltou a
evidenciar debilidades que não auguram que vá além dos
quartos-de-final, embora em futebol tudo seja possível.
De resto, o lance do “penalty” que dá origem ao golo, já
para além do nonagésimo minuto, deixou dúvidas em relação
à existência de uma falta que justificasse punição tão
severa. Por outro lado, os espanhóis jogaram durante a última
meia hora de jogo com mais uma unidade em campo, na sequência
da expulsão de Jokanovic, mas, estranhamente, a partir daí
começaram a emperrar o seu jogo, a dar sinais de um
nervosismo que lhes foi retirando clarividência, que se
agravaria no último quarto de hora, quando Komljenovic fez o
3-2. Nesse momento, os jugoslavos já levavam doze minutos a
jogar com menos uma unidade, fase essa que, curiosamente,
coincidiu com uma estabilização do seu jogo. Dizendo de
outro modo, os jugoslavos passaram a jogar melhor com dez
unidades do que o tinham feito antes com onze.
Para isso muito contribuiu a entrada de Saveljic, aos 68',
para terceiro central, o que permitiu equilibrar em termos
defensivos uma equipa com francas debilidades em termos de
marcação a meio-campo, além de uma dupla de centrais pesada
e com pouca mobilidade. De resto, a entrada de Govedaric ao
intervalo já restabelecera alguma capacidade de cobertura ao
meio-campo, onde abundam os artistas já a acusar o peso dos
anos.
A Espanha foi uma equipa mais compacta e equilibrada até ao
intervalo. Sofreu um golo aos 30' contra a corrente do jogo,
mas à beira do intervalo restabeleceu o empate e Etxeberria
falhou incrivelmente o 2-1 em cima da hora. Faltava claramente
aos espanhóis um organizador de jogo (que não pode ser
Guardiola), mas a sua agressividade na recuperação da bola e
o facto de jogarem com os sectores mais próximos uns dos
outros permitiram-lhes deter a iniciativa e o ascendente no
jogo.
O resultado ao intervalo era lisonjeiro para os jugoslavos.
Estes chegaram ao 2-1 (lance de inspiração de Drulovic), mas
no minuto seguinte os espanhóis anularam a vantagem. Tudo se
decidiu após a expulsão de Komljenovic: quando se esperava o
"assalto final" de "nuestros hermanos" foi
a Jugoslávia a assentar o seu jogo e a dar sinais de maior
serenidade (o empate bastava-lhes para o apuramento). Depois
foi aquele final incrível, quando já ninguém acreditava na
reviravolta...
Fonte:
Record
|
|