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Actualizado em: 15.02.2004

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DÚVIDAS SOBRE ABEL XAVIER E LUGAR A CONCEIÇÃO PODEM LEVAR A INOVAÇÃO

 

Equipa técnica portuguesa pondera variante aos três centrais

 

Humberto Coelho pode ser levado a repetir a experiência feita no jogo contra a Alemanha, abdicando de um defesa. Ainda não sabe se terá um lateral-direito em condições e, além disso, é preciso arranjar lugar a Conceição. Junta-se a fome à vontade de comer

 


Ermelo - Abel Xavier recomeçou quinta-feira a treinar em pleno e pode recuperar a tempo de jogar contra a Turquia. Mas a sua condição estará longe do ideal e, além disso, Humberto Coelho precisa de colocar os cinco magníficos do ataque (Sérgio Conceição, Figo, João Pinto, Rui Costa e Nuno Gomes) em apenas quatro lugares. Abre-se caminho a um cenário no qual Portugal poderia repetir a inovação feita contra a Alemanha, abdicando de um dos defesas e dando a Conceição total liberdade (e responsabilidade) para se haver com o flanco direito.

Já se sabe que Humberto Coelho não gosta de mudar, o que até se compreende, porque o seu 4x2x3x1 tem tido sucesso. Aliás, a este respeito, dizia Rui Caçador na brincadeira após o jogo com a Alemanha que esse foi o primeiro desafio em que uma selecção nacional jogou com três defesas centrais sem se arrepender. Por aqui se percebe que não foi com tranquilidade total que a equipa técnica mudou o sistema de jogo: fê-lo porque a isso foi obrigada pelas características dos jogadores disponíveis (não tinha ali um lateral-direito) e porque o valor competitivo do jogo em causa era quase nulo, pois o primeiro lugar estava assegurado.

Desta vez, o jogo é a doer, mas à questão da falta do lateral para o lado direito (que pode ser atenuada se Abel Xavier recuperar a tempo ou se Humberto decidir recompensar Costinha dando-lhe a titularidade nessa posição) vem somar-se a necessidade de dar uma oportunidade ao herói do jogo anterior (Sérgio Conceição). E quem sai? Figo e Rui Costa estão de pedra e cal, seja ele qual for, o ponta-de-lança não pode ser sacrificado, e de João Pinto, o elo mais fraco desta cadeia, aquele mais facilmente sacrificável, o seleccionador espera sempre bastante.

Restam duas hipóteses: ou Rui Costa recua no terreno para abrir lugar a mais um jogador ofensivo, mantendo-se o 4x2x3x1 com o “florentino” a partir mais de trás; ou se adopta uma variação do sistema que se usou contra a Alemanha, com Conceição à direita e um dos médios defensivos a ter atenção à cobertura das costas do ala da Lazio, já que faz pouco sentido usar três centrais face a uma selecção que joga quase sempre com dez jogadores atrás da linha da bola, só libertando dessa tarefa o avançado Hakan Sukur. Aliás, já no jogo com a Alemanha os três centrais tiveram que se adaptar à realidade: como os alemães surgiram só com um ponta-de-lança (Jancker) e com Bode a descair da esquerda para o meio no seu apoio, Beto abriu o jogo à direita e acabou por ser mais um lateral do que um central.

Colocado perante estes cenários, Rui Caçador respondeu que a equipa técnica ainda não tinha acabado “de estudar” os turcos e que só quinta-feira à noite iam ver os vídeos dos seus jogos. Mesmo assim, além do sistema de jogo a utilizar, as dúvidas na selecção nacional na antevéspera do jogo com a Turquia já não devem ser muitas. Faltará apenas saber se as boas exibições de Sá Pinto e Pauleta com a Alemanha vieram reabrir a questão da escolha do ponta-de-lança ou se Nuno Gomes segurou, apesar de tudo, uma vaga nos titulares. Respostas, como também disse Caçador, “só uma hora e meia antes do jogo”.

Fonte: Record

 

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