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SELECCIONADOR
LEMBRA QUE AGORA O ERRO JÁ NÃO É TOLERÁVEL
Humberto
Coelho: «Um jogo de decisões pede outro envolvimento»
O seleccionador chamou a atenção para as diferenças entre a
primeira fase, onde havia três jogos para conseguir um
objectivo, e as eliminatórias. “Este será um jogo de decisão”,
avisa
Ermelo - Humberto Coelho fechou-se em copas e escondeu os
segredos todos da sua equipa. Os serviços secretos trabalham
com avidez dos dois lados, o que contribuiu para que o técnico
nacional adiasse para sábado os esclarecimentos acerca das opções
a tomar, dos jogadores titulares ao sistema em que os colocará
a jogar. De seguro na conversa que sexta-feira teve com os
jornalistas só restou a noção de que o grau de
responsabilidade vai aumentar a partir de agora.
“Na primeira fase tínhamos três jogos para ficar em
primeiro ou segundo lugar, para alcançar os nossos objectivos.
Agora será um jogo de decisões. Sabemos que temos que
encarar o jogo de uma maneira diferente, porque é um jogo que
tem características diferentes”, começou por referir
Humberto Coelho. “Um jogo de ‘poule’, de campeonato, tem
características diferentes de um jogo a eliminar como este.
Este é um jogo de decisões e, por isso, as suas características
requerem um outro envolvimento da parte de toda a equipa.
Sabemos da responsabilidade acrescida que se nos apresenta”,
sublinhou de seguida.
Certo é que, nomeadamente depois de ter ganho os três jogos
da primeira fase, a selecção portuguesa vai apresentar-se
cheia de moral. “Estamos confiantes, pois fizemos uma
primeira fase boa, ganhámos os três jogos. Mas estamos
tranquilos, pois é só mais um jogo de futebol que vamos
disputar. E essa tranquilidade dará uma mais-valia, uma maior
confiança e uma maior determinação em busca dos nossos
objectivos”, explicou Humberto Coelho. No meio de tudo isto,
ainda surge a alegria de jogar. O seleccionador reconhece-a
nos seus jogadores e adopta-a para si próprio: “Eu gosto de
me divertir com o futebol, mas com sentido profissional, com
responsabilidade, atento.”
Essa atenção está neste momento virada para a Turquia, que
já considerou “um adversário muito difícil”. Olhando
para os turcos, vê-se que costumam jogar recuados, à espera
de erros para punir os adversários. Que jogo vai fazer
Portugal? “Depende muito do que o jogo der, mas não vamos
esperar por nada. Vamos jogar para tentar ganhar, queremos a
decisão a nosso favor. A atitute terá de ser a mesma que até
aqui, pois tem sido muito boa em todos os jogos, é uma
atitude para tentar ganhar os jogos”, confidenciou Humberto
Coelho.
SOBRE OS TITULARES, O SISTEMA, OS LESIONADOS...
Humberto nunca abre o jogo nas conferências de Imprensa, mas
sexta-feira esteve ainda mais enigmático do que é habitual.
Metade das questões colocadas, todas as que tinham a ver com
aspectos concretos, foram respondidas com um “sábado
veremos” que só veio adensar as dúvidas existentes.
Joga Sérgio Conceição? “Só sábado é que definiremos a
nossa estratégia. O Sérgio Conceição, como qualquer um dos
22 que cá estão, pode jogar.” Vai repetir o sistema de três
centrais usado contra a Alemanha ou regressar ao sistema
anterior, com quatro defesas? “Só sábado é que veremos. O
sistema depende dos adversários, dos jogos, dos jogadores
disponíveis. Tudo isto são factores que podem levar a
alterar um sistema ou a mantê-lo.” O Abel Xavier está em
condições? “Temos vindo a observar a sua evolução.
Clinicamente está apto, desportivamente só sábado é que
saberemos.” Por isso, resta esperar.
«O FUTEBOL PASSA PELO MEIO-CAMPO»
O futebol apresentado pelos portugueses tem maravilhado toda a
gente, pelo que já começam a aparecer jornalistas
estrangeiros a pedir a Humberto Coelho que lhes defina o seu
ideal de futebol. O seleccionador nacional respondeu-lhes
falando numa preferência pelo tipo de jogo baseado no meio-campo
e na dinâmica.
“As equipas que praticaram um futebol directo, como as nórdicas,
por exemplo, foram eliminadas. O futebol deve passar pelo meio-campo.
Gosto que o futebol passe pelo meio-campo, mas rápido. É
isso que é importante: a dinâmica do futebol tem que ser uma
dinâmica rápida. O envolvimento de todos os jogadores é o
que constrói a beleza do futebol”, opinou Humberto Coelho,
que logo a seguir deu um passo atrás em relação às críticas
de quem veio mostrar um futebol mais directo.
“Tudo é adaptável aos jogadores que se tem. Com certeza
que os seleccionadores dessas equipas se adaptaram aos
jogadores que tinham. No campeonato alemão e no inglês joga-se
muito directo, mais directo do que em Portugal”, justificou-se
Humberto Coelho, que defende a mescla de experiências como
uma vantagem do colectivo que dirige. “O que fizemos foi
misturar as características dos jogadores portugueses com a
experiência dos que estão no estrangeiro”, explicou.
Fonte:
Record
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