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Actualizado em: 15.02.2004

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A EXPULSÃO DE ALPAY, AOS 29 MINUTOS, AJUDA OS LUSITANOS A FAZER UM PASSEIO RUMO ÀS MEIAS-FINAIS

 

Portugal-Turquia, 2-0: Um domínio asfixiante e uma goleada falhada

 

Nuno Gomes marcou os dois golos, sempre “oferecidos” pelo “superstar” Figo, mas falhou diversas vezes o segundo “hat-trick” nacional na prova. A superioridade lusa foi total: 22 remates contra oito; 16 cantos contra um! Vítor Baía defendeu uma grande penalidade importante à beira do intervalo

 

Amesterdão - Portugal ganhou pela primeira vez um jogo a eliminar num Campeonato da Europa e chegou às meias-finais de forma mais fácil do que o previsto. A expulsão de Alpay (29, por agressão a Fernando Couto) cerceou os sonhos da combativa mas limitada equipa turca e a “estrelinha” voltou a brilhar quando Vítor Baía, a escassos segundos do intervalo, defendeu a primeira grande penalidade da carreira dele durante um jogo oficial (que não em séries para decidir um resultado).

A vitória portuguesa acabou por ser escassa face às incontáveis oportunidades criadas, mormente na segunda metade. Nuno Gomes marcou os dois golos, sempre “oferecidos” pelo “superstar” Figo, mas falhou diversas vezes o segundo “hat-trick” nacional na prova. Não seria anormal que o caudal ofensivo tivesse resultado em quatro ou cinco golos.

A superioridade lusitana foi total: 22 remates contra oito; 16 cantos contra um! Era quase impossível não ganhar um jogo destes e a Turquia sentiu-o com certeza naquela interminável segunda parte em que o futebol da nossa equipa reinventava os espaços para o surgimento de situações depois desperdiçadas.

Continua, assim, de pé a bela utopia que o futebol proporciona este Verão aos portugueses. A equipa de Humberto Coelho pode ser campeã da Europa e fica agora à espera de saber qual o adversário que se segue: a França, campeã do Mundo, ou a Espanha? No primeiro caso teríamos pela frente talvez a equipa mais poderosa actualidade, mas, quem sabe?, poderia funcionar a vontade de fazer esquecer um certo final de tarde de Marselha, em 1984...

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Humberto Coelho resolveu da forma mais simples a integração de Sérgio Conceição. Prescindiu de Abel Xavier e colocou o carrasco da Alemanha na posição de defesa-direito. Para acautelar melhor a vigilância do corredor, deixou Vidigal no banco e escalou Costinha para trinco, descaído também sobre a direita (Paulo Bento sobre a esquerda). Portugal regressava, assim, ao 4x2x3x1, e para equilibrar a acutilância entre os flancos passava Figo para a esquerda, ficando João Vieira Pinto (JVP) à frente de Sérgio Conceição.

A Turquia não surpreendeu em termos tácticos (3x4x2x1) e não discutiu o domínio territorial. Assim sendo, Portugal começou ao ataque e ganhou logo um canto no primeiro minuto. Sempre a batuta de Figo a funcionar, a abrir buracos, a solicitar companheiros, a centrar e até a rematar (22, com a bola a sair a um metro da baliza).

O jogo turco era previsível. Pouca capacidade criativa. Os olhos postos em Hakan Sukur. E este, bem vigiado, até mais por Fernando Couto que por Jorge Costa, quase sempre tapado. Uma bola ganha a Couto nas alturas (26) constituía a excepção que confirmava a regra.

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A expulsão de Alpay, por agressão a Fernando Couto, no solo, depois de uma disputa de bola, facilitou muito a tarefa de Portugal. Imediatamente a nossa equipa intensificou a pressão, com Costinha muito bem na recuperação de bolas. Pena que o jogador do Mónaco não tivesse conseguido concretizar qualquer das duas oportunidades de golo que lhe surgiram, na sequência de cantos cobrados por Figo (18 e 42).

Entretanto, Figo mudara de posição com JVP. Voltou à direita (de onde lhe saíram as duas assistências para os golos de Nuno Gomes) e Portugal, de repente, já estava a ganhar. Logo a seguir JVP falhou por pouco a concretização a um bom trabalho de Rui Costa.

O susto veio depois, durante os cerca de seis minutos de compensações da primeira parte. Arif caiu em luta com Fernando Couto e o árbitro holandês viu motivo para grande penalidade num lance discutível. Resta saber por que não mostrou, então, o cartão amarelo ao defesa português. Ainda para mais, seria o segundo...

Portugal poderia ter ido para as cabinas com um resultado complicado, mas Vítor Baía esteve atento ao remate à figura de Arif e agarrou à segunda. Uff!

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O problema do jogo da equipa nacional era o pouco esclarecimento no meio-campo. Por isso, Humberto Coelho lançou Paulo Sousa. Uma boa decisão, pese Costinha não estar a jogar mal.

Com alguém a pensar, Portugal passou a explorar melhor as debilidades turcas e a superioridade numérica. Começou, então, um verdadeiro bombardeamento, um festival de futebol de ataque. Nuno Gomes não podia fazer outra coisa se não transformar no 2-0 um passe de bandeja de Figo (56) e daí até ao final o jogo pareceu tudo menos um confronto dos quartos-de-final do Europeu.

A superioridade portuguesa foi esmagadora e asfixiante (15 remates em 45 minutos: onde já se viu isso?). Cada incursão tornava o golo iminente. Pela direita, pela esquerda, pelo meio. Começou, inclusive, por parte de alguns jogadores (Rui Costa à cabeça), a aparecer a fixação de ajudar Nuno Gomes à realização de uma proeza pessoal, o “hat-trick”.

Esse companheirismo e essa vontade de ajudar não facilitou a construção de um resultado condizente com o que se passou em campo. Portugal falhou a goleada mais fácil deste Europeu!

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A única medida da Turquia foi mudar dois jogadores, mas nada isso alterou de substantivo. Com o decorrer do tempo, aliás, a equipa foi-se estendendo ainda mais sobre o terreno e facilitando o escorrer do caudal atacante português. Até Paulo Bento (80) surgiu isolado face ao guarda-redes turco! Há muito tempo que não se via uma coisa assim!

Com a substituição de Nuno Gomes, Humberto Coelho, mais que julgar os vários falhanços do autor dos dois golos, quis talvez tirar de cima da equipa a pressão do companheirismo. Por isso entrou Sá Pinto. Portugal, contudo, e de forma incrível, conseguiu voltar a não marcar. Talvez tenha sido a sensação de facilidade que amoleceu a equipa. Parecia realmente tão fácil e depois faltava sempre o último toque.

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A partir de agora, Portugal já não pode falhar um resultado à altura da qualidade do futebol que tem apresentado. Está nas meias-finais. Merece os elogios insistentes de muita gente. Mostra novos jogadores, como Nuno Gomes. Confirma Figo como uma das estrelas mais cintilantes do futebol actual. A equipa, à quarta vitória, continua a gerar novas soluções e mais competitividade interna. Deste jogo salta já a importância de Paulo Sousa. Sérgio Conceição a defesa-direito jogou os 90 minutos, como queria, mas longe da zona de remate, embora tivesse tido ocasiões para fazer o gosto ao pé. Enfim, Humberto Coelho continua a ter boas tensões para gerir. E vem aí, na quarta-feira, um jogo em que é preciso dar tudo. Os portugueses adeptos de futebol têm razões para se sentirem tão felizes quanto aqueles, privilegiados compatriotas, que sempre no final de cada um dos quatro jogos disputados até agora ficam nos estádios mais quase uma hora a cantar e dançar. Tem sido bonita a festa.

 

Portugal 2-0 Turquia


Nuno Gomes e Figo dão meias-finais



Portugal 2-0 Turquia 

0':Constituição oficial das equipas:
Portugal: Vítor Baía (1); Sérgio Conceição (11), Fernando Couto (5), J
orge Costa (2) e Dimas (13); Paulo Bento (17) e Costinha (15); Figo (7), Rui Costa (10) e João Pinto (8); Nuno Gomes (21).
Turquia: Rustu (1); Fatih (4), Ogun (3) e Alpay (5); Tayfun (11), Tayfur (2), Okan (7), Ergun Penbe (16) e Hakan Unsal (20); Arif Erdem (6); Hakan Sukur (9).
O jogo, que se disputa no Arena, em Amesterdão, tem início às 17 horas e será arbitrado por Dick Jol. 

1': Já se joga no Arena. 

14': Portugal e Turquia dividem a posse de bola, com muitas batalhas a meio-campo e sem oportunidades de golo até ao momento. 

18': Grande oportunidade para Portugal: canto de Figo, a bola sobra para o segundo poste e Costinha recebe e atira, mas Rustu defende. 

19': Rustu, guarda-redes da Turquia, está lesionado. 

20': Rustu recuperou. A Turquia faz aquecer três jogadores. 

22': Boa oportunidade para Portugal: belo dible a tirar do caminho dois turcos e remate de fora da área, ao lado do poste esquerdo de Rustu. 

25': Boa oportunidade da Turquia: livre levantado para a área, Sukur salta mais alto que Fernando Couto e atira de cabeça por cima. 

27': Cartão amarelo a João Pinto (Portugal). 

28': Cartão vermelho a Alpay (Turquia), por agressão a Fernando Couto. 

32': Cartão amarelo a Okan (Turquia). 

36': Cartão amarelo a Fernando Couto (Portugal). A arbitragem de Dick Jol está a ser muito pobre, particularmente no capítulo disciplinar. 

37': Cartão amarelo a Rui Costa (Portugal). 

39': Cartão amarelo a Costinha (Portugal). 

41': Grande oportunidade de Portugal: mais uma vez num canto da esquerda de Figo. Rustu sai em falso e Costinha atira de cabeça a rasar o poste direito. 

43': GOLO DE PORTUGAL: Jogada de Figo na direita, cruzamento para o centro da área e Nuno Gomes, sozinho, cabeceia de cima para baixo com a bola a bater na relva e a trair Rustu. 

45': Grande oportunidade de Portugal: Jogada fabulosa de Rui Costa na esquerda, centro atrasado e João Pinto entra de trás e atira a rasar o poste direito. 

45': Penalty contra Portugal. Fernando Couto perde a bola na área, já com quatro minutos de descontos (justificados), e faz falta sobre Arif Erdem. 

45': Turquia falha penalty: Arif Erdem atira para o lado esquerdo e Vítor Baía defende, recolhendo a recarga. 

Intervalo: Portugal vence a Turquia ao intervalo, com sorte e injustiça à mistura. Apesar de um período de claro domínio entre os 15 e os 25 minutos, e apesar de a Turquia só por duas vezes ter chegado à baliza de Baía, as duas de bola parada, os portugueses têm de se considerar felizes por estar em vantagem.
O encontro tem sido marcado pela luta a meio-campo, com os turcos a pressionarem bastante e a impedirem Portugal de trocar a bola em condições. Curiosamente, a expulsão de Alpay, central da Turquia, marcou uma fase de desorientação da equipa de Humberto Coelho, com muitas faltas e vários cartões. E foi nesse período que surgiu o golo de Portugal, através de um Nuno Gomes oportuníssimo.
A Turquia podia, ainda assim, ter empatado. Fernando Couto fez penalty depois de uma perda de bola escusada e arriscou-se a uma expulsão, que Dick Jol perdoou. Arif Erdem permitiu a defesa de Baía e Portugal chega ao intervalo com vantagem no marcador e vantagem psicológica.

Intervalo: Substituição de Portugal: entra Paulo Sousa, sai Costinha, 

46': Recomeçou o jogo no Arena. 

51': Oportunidade para a Turquia: canto da direita, Baía salta mas ao cair é tocado por Tayfur. O árbitro não assinala falta e Tayfur toca por cima da baliza. 

54': Abel Xavier, Capucho e Sá Pinto aquecem na Selecção portuguesa. 

55': GOLO DE PORTUGAL: Grande trabalho de Figo pela direita, a isolar-se e a entrar na área junto à linha. Figo levanta a cabeça e encontra Nuno Gomes sozinho no segundo poste. Foi só encostar. 

56': Cartão amarelo para Hakan Unsal (Turquia).


58': Boa oportunidade para Portugal: remate de fora da área de João Pinto, a rasar o poste direito. 

58': Cartão amarelo para Paulo Sousa (Portugal). 

60': Boa oportunidade para Portugal: Figo  

60': Substituições na Turquia: saem Arif Erdem e Okan, entram Suat (14) e Oktay (17). 

62': Grande oportunidade para Portugal: Contra-ataque rápido de Rui Costa, combinação com Figo, que assiste Nuno Gomes. O ponta-de-lança, à entrada da área, remata fraco à figura de Rustu. 

64': Grande oportunidade para Portugal: Canto da esquerda, Jorge Costa, a metro e meio da linha de golo, não consegue atirar para a baliza, e a insistência de Nuno Gomes é parada por um defesa turco.

66': Oportunidade para Portugal: Sérgio Conceição, sobre a direita, atira à figura de Rustu. 

70': Grande oportunidade para Portugal: Centro da esquerda de Figo e Nuno Gomes atira, na área, ligeiramente ao lado do poste direito. 

71': Boa oportunidade para Portugal: Nuno Gomes assiste Rui Costa, que atira com o pé esquerdo para boa defesa de Rustu. 

73': Substituição de Portugal: sai Nuno Gomes, entra Sá Pinto 

78': Oportunidade para a Turquia: livre levantado para a área, Tayfun toca de cabeça na confusão mas Baía recolhe. 

80': Grande oportunidade para Portugal: Contra-ataque rápido, Rui Costa isola Paulo Bento mas Rustu sai-se bem e defende. 

81': Cartão amarelo para Ogun (Turquia). 

83': Oportunidade para a Turquia: tentativa de chapéu de Hakan Unsal, por cima. 

83': Substituição na Turquia: sai Ogun, entra Sergen (10). 

86': Substituição de Portugal: sai Rui Costa, entra Capucho (19). 

88': Boa oportunidade para Portugal: mais um contra-ataque, João Pinto atira mas Rustu segura bem. 

89': Oportunidade para a Turquia: Boa jogada pela esquerda, mas Baía sai bem e segura aos pés de um turco. 

90': Oportunidade para Portugal: Figo atira um livre contra a barreira e chuta a recarga por cima. 

Final do jogo: Portugal está nas meias-finais.

 

 
Primeiras declarações do seleccionador


«O importante é estarem todos disponíveis» (Humberto Coelho)



Humberto Coelho antes de recolher aos balneários prestou, ainda a quente, as primeiras declarações. «Tivemos a sorte de jogar grande parte do jogo contra dez o que às vezes torna-se mais complicado, ficámos nervosos mas, depois, conseguimos assentar o nosso jogo e jogámos muito bem, com boas mudanças de flanco».  

Humberto Coelho destacou ainda a exibição de Vítor Baía. «Acho que o Vítor não ganhou hoje, tem vindo a ganhar nos treinos e nos jogos que tem feito».
O seleccionador de Portugal mostrou-se ainda pouco preocupado com o número de cartões amarelos. «Todos estão disponíveis e isso é que é importante para o futuro. Recebemos muitos cartões amarelos e claro que gostariamos de não os ter mas às vezes são impossíveis de evitar e hoje foi assim».

Figo «melhor em campo»



Luís Figo, autor das duas assitências para os golos de Nuno Gomes, foi eleito o «melhor em campo» no jogo em que Portugal venceu a Turquia por 2-0.

 

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