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FRANCESES
FORAM SUPERIORES MAS SEGUEM PARA A FINAL DEVIDO A UMA GRANDE
PENALIDADE POLÉMICA E INJUSTA
Portugal-França,
1-2: É triste perder por capricho um sonho de anos
Parece evidente, após muitas repetições, que no lance de
toda a polémica Abel Xavier tenta até tirar o braço do
caminho da bola, que lhe bate antes de seguir para fora. Seria
canto. Mas o homem da bandeira não vacilou: chamou o chefe de
equipa e indicou-lhe uma grande penalidade que surpreendeu
toda a gente
Bruxelas - Inglório! Portugal caiu nas meias-finais do
Campeonato da Europa, diante da França, com uma decisão polémica
de um árbitro auxiliar que viu, num remate “à queima” de
Wiltord, no prolongamento, após quase 115 minutos de luta
justa, viril mas leal, uma grande penalidade hipoteticamente
cometida por Abel Xavier. Uma decisão tremenda, frustrante,
que o espectáculo não merecia. E este era o mesmo auxiliar
que já tinha deixado passar em claro uma posição muito
duvidosa de Anelka no lance do golo do empate. Milímetros que
podem ser vistos na televisão, mas que no estádio só podiam
ser medidos por um homem de convicções e de certezas...
Parece evidente, após muitas repetições, que no lance de
toda a polémica Abel Xavier tenta até tirar o braço do
caminho da bola, que lhe bate antes de seguir para fora. Seria
canto. Mas o homem da bandeira não vacilou: chamou o chefe de
equipa e indicou-lhe uma grande penalidade que surpreendeu
toda a gente.
A revolta que se seguiu era inevitável. Figo quis sair do
jogo e outros jogadores andaram de cabeça perdida perto dos
limites. Nuno Gomes acabou expulso. Humberto Coelho, sempre
calmo, procurou evitar a catástrofe de uma agressão.
Por muito que se queira ter compreensão pelo rigor de apreciação
do árbitro auxiliar, tem de dizer-se que a decisão, além de
muito discutível, não tem bom senso. Num jogo destes, numa
altura destas, só se assinala uma grande penalidade acima de
toda a suspeita. Este lance, a culminar um jogo de luta dramática,
merecia a apreciação de um homem mais experiente e justo.
Portugal caiu, assim, de forma inglória e tremendamente
chocante. É penoso trabalhar tanto para acabar por sair da
competição devido a mais um capricho milimétrico de um
homem de certezas.
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O jogo estava marcado por uma componente histórica e simbólica
que lhe transmitiu uma certa carga de dramatismo. Portugal
“versus” França para tirarem a “limpo” a célebre
noite de Marselha, num longínquo Junho de 1984.
Após uma tarde de festa, colorida, alegre e bonita, o jogo,
tem de se reconhecer, acabou por mostrar a França como uma
equipa superior, mais equilibrada em todos os sectores, mais
madura. Não seria injusto que tivesse ganho no final dos 90
minutos. A resistência portuguesa, sofrida, lutada, suada,
impediu-o no entanto.
Pode dizer-se, agora, depois de tudo visto, que se calhar
teria sido melhor Portugal apresentar outro meio-campo, mais
criativo, capaz de sair a jogar e servir em condições os
muito vigiados Figo e Rui Costa. A falta de Paulo Bento, pelo
menos, foi demasiado sentida. Costinha e Vidigal,
trabalhadores incansáveis, recuperavam bolas que depois
perdiam e perdiam bolas que depois ganhavam - mas neste
carrossel a equipa portuguesa não jogava. Não conseguia ter
a bola, fazê-la circular, colocar em campo o belo futebol tão
apreciado neste excelente torneio.
Essa opção marcou o encontro, tanto ou mais que a diferença
física entre os jogadores. A França acabou por ser superior,
muito pela pressão constante, mormente de um “miolo”
demolidor (Vieira-Deschamps-Petit), atlético, mas que também
sabe jogar e bem. Dominou, por isso, o encontro. Portugal
marcou cedo (19) e na única oportunidade. A França teve
momentos de superioridade sufocante durante a segunda parte.
Jogou sempre mais nas proximidades da baliza de Vítor Baía.
Só a entrada de Paulo Bento (57), a racionalizar e a entregar
direito, veio ajudar Portugal a sair da tempestade e a
conseguir levar o jogo para prolongamento.
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O jogo teve um início cauteloso, com ambas as equipas a
demonstrarem o respeito que tinham uma pela outra.
A França apareceu com três centrais, o esquema guardado para
resolver as situações difíceis. Vieira, Deschamps e Petit
no apoio ao trio atacante, constituído por Henry, na direita,
Anelka, ao meio, e Zidane, partindo este normalmente da
esquerda mas com a liberdade de movimentos que lhe é
habitual. Roger Lemerre deixava, assim, de fora dois criativos
habituais, Dugarry e Djorkaef.
Humberto Coelho não mexeu no dispositivo táctico mas
surpreendeu com os nomes dos “trincos” e com a preferência
dada a Sérgio Conceição sobre João Vieira Pinto. Vidigal e
Costinha, com certeza pela disponibilidade física, foram
destacados para o combate do meio-campo. Não entrou Paulo
Sousa e até saiu Paulo Bento. A escolha de Sérgio Conceição
permitiu colar dois extremos às linhas laterais, calhando
outra vez a Figo a da esquerda. Portugal segurava desta forma
os ofensivos laterais franceses, Thuram e Lizarazu. Na frente,
mantinha-se Nuno Gomes.
Os esquemas tácticos eram distintos, mas o resultado era o
mesmo: as equipas defendiam com sete e atacavam com quatro, na
primeira metade. Na equipa de Portugal saía Rui Costa para o
apoio a Sérgio Conceição; na França eram Vieira ou Petit.
Quase nunca os dois.
Nos primeiros cinco minutos a bola não saiu da zona intermediária.
Só aos 13 apareceu um remate, por Deschamps, de longe, à
figura de Vítor Baía.
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A “estrelinha” voltou a visitar Portugal. Na primeira
iniciativa atacante, pela direita, um ressalto, após insistência
de Sérgio Conceição, permitiu a intromissão oportuna de
Nuno Gomes: que belo golo, com o pé esquerdo, aproveitando o
adiantamento de Barthez!
A equipa de Humberto Coelho marcava na primeira oportunidade.
Nuno Gomes tornava-se no primeiro futebolista português
depois de Eusébio a marcar mais que três golos numa fase
final de uma grande competição.
O problema da equipa nacional foi sempre o meio-campo. A força
do trio gaulês e o bom preenchimento dos espaços, associada
à falta de qualidade na condução do jogo atacante assumida
com a opção por Vidigal e Costinha, manietou Portugal. Os
“guerreiros” quase nunca acertavam na assistência. As saídas
para o ataque eram impossíveis pela falta de qualidade do
passe.
Neste contexto, não foi nada negativo a manutenção da
vantagem do marcador até à chegada do intervalo.
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A segunda parte iniciou um sufoco francês. Portugal tardou em
colocar Paulo Bento em campo. Saiu Vidigal em vez de Costinha,
se calhar porque o primeiro vira o cartão amarelo. Figo não
conseguia receber a bola sem ficar logo rodeado por três ou
quatro adversários. A Rui Costa acontecia o mesmo.
Faltavam-lhes companheiros que soubessem trocar a bola e
repartir cuidados.
O golo de Henry surgira entretanto. Obviamente merecido pela
França e na sequência de um bom trabalho individual do jovem
extremo, que recuou para conseguir tempo e espaço para o
remate. A desmarcação de Anelka, que lhe esteve na origem,
foi no entanto bastante polémica. Pareceu claramente
fora-de-jogo. A televisão mostrou depois uma legalidade milimétrica.
Seguiram-se tempos extremamente difíceis. O golo francês
esteve muitas vezes iminente. O mérito português foi saber
resistir. A defesa esteve irrepreensível. Os centrais a
saltar, a irem “à queima” sem medo. Belo jogo de Fernando
Couto e Jorge Costa, mas também de Abel Xavier (mal a passar)
e de Dimas. Este terá feito mesmo o melhor jogo na selecção,
pleno de entrega, profissionalismo e brio. Saiu antes do começo
do prolongamento porque estava completamente esgotado.
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No prolongamento, as coisas ficaram melhores para Portugal. A
França refreou os ímpetos e impôs-se cautelas. Estava em
causa o decisivo “golo dourado”.
Por outro lado, Paulo Bento impunha um pouco de ordem, mesmo
que já não estivesse ali Rui Costa, substituído por João
Vieira Pinto. A França ganhou o jogo no anulamento quase
completo que impôs a Figo e Rui Costa.
Ainda assim, antes do lance que decidiu o jogo (grande
penalidade apontada por Zidane), Portugal dispôs de um lance
de perigo, culminado com um remate de João Viera Pinto não
muito ao lado da baliza de Barthez.
A selecção nacional sai de cabeça erguida do torneio. Fez
uma prova acima das expectativas e perante a melhor equipa do
Mundo da actualidade saiu derrotada por... milímetros. Provou
que está no limiar de grandes feitos. Precisa apenas de
ganhar mais opções no meio-campo, agora que parece que já não
há Paulo Sousa. O Mundial, daqui a dois anos, será uma outra
oportunidade.
Da arbitragem já se disse o suficiente.
Fonte:
Record
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