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DEFESA
LOCALIZA RESPONSABILIDADE POR TRISTEZA PROFUNDA
Abel
Xavier: «Árbitro perguntou ao auxiliar se estava seguro»
O lateral-direito alerta para a necessidade de "sacar
conclusões de tudo o que se passou", continuando a
asseverar que "não podia cortar os braços". Por
isso salienta que "temos igualmente de ser fortes noutras
estruturas..."
Roterdão - Abel Xavier foi dos primeiros jogadores a
abandonarem o autocarro da selecção rumo ao aeroporto de
Roterdão. A desilusão e o inconformismo mantinham-se bem visíveis
no rosto e no discurso do lateral-direito da selecção
portuguesa.
"Por acaso não dormi", reconheceu, quando
questionado sobre a ausência de descanso numa noite sem
recordações agradáveis. "É lógico que uma situação
destas não nos faz sentir bem. A desilusão pela forma como
as coisas aconteceram foi enorme. Eu continuo a afirmar que não
houve qualquer ‘penalty’. Penso que se fosse na área dos
franceses, a análise não seria idêntica. O importante é
que saímos de cabeça erguida e o nome de Portugal foi
dignificado", começou por salientar.
Chegado ao hotel em Ermelo depois do jogo em Bruxelas, era
inevitável não procurar algum canal televisivo que estivesse
a dar o resumo da partida com a França. Abel Xavier garante,
porém, que isso não mudou a sua visão da situação. "Já
tinha uma ideia clara do lance, mesmo no próprio campo. A
televisão concede sempre uma perspectiva diferente porque
permite a utilização de câmara-lenta e mesmo de diversos
pontos de filmagem. O árbitro não dispõe dessas facilidades
e não apita com uma televisão. Por isso, há que analisar o
lance de uma forma normal, como ele aconteceu no jogo. E nessa
situação, dificilmente poderá ser considerado jogo faltoso
da minha parte. O rematador chuta a três metros de distância
e eu não posso tirar as mãos, porque elas ficam
necessariamente de uma forma lateral. Eu não podia cortar os
braços", salientou em sua defesa.
De resto, na confusão que se gerou, Abel Xavier garante que
"não houve explicação por parte do árbitro. Ele próprio
ficou espantado. Na altura assinalou canto. Quando o fiscal de
linha apontou a grande penalidade, ele perguntou-lhe por
diversas vezes: ‘Estás seguro? Estás seguro?’ O auxiliar
insistiu e insistiu, exigindo que a grande penalidade fosse
assinalada. Perante esse facto, o árbitro teve de a conceder,
para nossa infelicidade".
Em face de tudo o que se passou, o lateral-direito denota até
alguma dificuldade em abordar o plano pessoal. "Senti-me
bastante bem", reconhece ainda assim, lembrando ter
"uma lesão na parte de trás da coxa controlada pelo
departamento médico. Foi bom já termos garantido o
apuramento na altura do jogo com a Alemanha, dado que permitiu
recarregar baterias. Voltei numa partida muito importante para
mim, para a equipa e para o País. O que deve ser salientado
é a tristeza profunda de termos sido privados de conseguir um
feito mais importante", voltou a destacar.
Como falta pouco para começar mais uma etapa da selecção,
Abel sublinha que "temos de sacar algumas conclusões de
tudo o que se passou. O Mundial 2002 tem a qualificação aí
à porta. O Euro-2004 realiza-se em Portugal e a nossa imagem
está mais forte com aquilo que fizemos. Agora, temos
igualmente de ser fortes noutras estruturas...".
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