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Actualizado em: 15.02.2004

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DEFESA LOCALIZA RESPONSABILIDADE POR TRISTEZA PROFUNDA

 

Abel Xavier: «Árbitro perguntou ao auxiliar se estava seguro»

 

O lateral-direito alerta para a necessidade de "sacar conclusões de tudo o que se passou", continuando a asseverar que "não podia cortar os braços". Por isso salienta que "temos igualmente de ser fortes noutras estruturas..."

 

Roterdão - Abel Xavier foi dos primeiros jogadores a abandonarem o autocarro da selecção rumo ao aeroporto de Roterdão. A desilusão e o inconformismo mantinham-se bem visíveis no rosto e no discurso do lateral-direito da selecção portuguesa.

"Por acaso não dormi", reconheceu, quando questionado sobre a ausência de descanso numa noite sem recordações agradáveis. "É lógico que uma situação destas não nos faz sentir bem. A desilusão pela forma como as coisas aconteceram foi enorme. Eu continuo a afirmar que não houve qualquer ‘penalty’. Penso que se fosse na área dos franceses, a análise não seria idêntica. O importante é que saímos de cabeça erguida e o nome de Portugal foi dignificado", começou por salientar.

Chegado ao hotel em Ermelo depois do jogo em Bruxelas, era inevitável não procurar algum canal televisivo que estivesse a dar o resumo da partida com a França. Abel Xavier garante, porém, que isso não mudou a sua visão da situação. "Já tinha uma ideia clara do lance, mesmo no próprio campo. A televisão concede sempre uma perspectiva diferente porque permite a utilização de câmara-lenta e mesmo de diversos pontos de filmagem. O árbitro não dispõe dessas facilidades e não apita com uma televisão. Por isso, há que analisar o lance de uma forma normal, como ele aconteceu no jogo. E nessa situação, dificilmente poderá ser considerado jogo faltoso da minha parte. O rematador chuta a três metros de distância e eu não posso tirar as mãos, porque elas ficam necessariamente de uma forma lateral. Eu não podia cortar os braços", salientou em sua defesa.

De resto, na confusão que se gerou, Abel Xavier garante que "não houve explicação por parte do árbitro. Ele próprio ficou espantado. Na altura assinalou canto. Quando o fiscal de linha apontou a grande penalidade, ele perguntou-lhe por diversas vezes: ‘Estás seguro? Estás seguro?’ O auxiliar insistiu e insistiu, exigindo que a grande penalidade fosse assinalada. Perante esse facto, o árbitro teve de a conceder, para nossa infelicidade".

Em face de tudo o que se passou, o lateral-direito denota até alguma dificuldade em abordar o plano pessoal. "Senti-me bastante bem", reconhece ainda assim, lembrando ter "uma lesão na parte de trás da coxa controlada pelo departamento médico. Foi bom já termos garantido o apuramento na altura do jogo com a Alemanha, dado que permitiu recarregar baterias. Voltei numa partida muito importante para mim, para a equipa e para o País. O que deve ser salientado é a tristeza profunda de termos sido privados de conseguir um feito mais importante", voltou a destacar.

Como falta pouco para começar mais uma etapa da selecção, Abel sublinha que "temos de sacar algumas conclusões de tudo o que se passou. O Mundial 2002 tem a qualificação aí à porta. O Euro-2004 realiza-se em Portugal e a nossa imagem está mais forte com aquilo que fizemos. Agora, temos igualmente de ser fortes noutras estruturas...".

 

 

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