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SEGUNDA EQUIPA
DE ALTO RENDIMENTO
Portugal-Alemanha,
3-0: Mais um momento de magia para a história
O crescimento da selecção nacional é surpreendente e está
a conquistar o planeta futebol. Portugal refina a qualidade técnica
e junta-lhe a veia rematadora por força da chegada à
maturidade de um grupo de futebolistas de génio puro
Roterdão - Mais uma noite de magia do futebol português
neste fantástico Campeonato da Europa. Terça-feira foi o dia
de humilhação e despedida da prova do actual campeão - a
Alemanha - com uma exibição portentosa de Sérgio Conceição,
coroada com um “hat-trick”! Uma “segunda equipa”, de
valor equivalente à primeira, voltou a fazer um jogo de
grande classe. Sem Figo nem Rui Costa, mas com Sérgio Conceição
e Sá Pinto, Portugal mostrou ter jogadores e talento para
ganhar à vontade a uma selecção que pode dizer-se em decadência
mas ainda é do “top” europeu.
O crescimento da selecção nacional é surpreendente e está
a conquistar o planeta futebol. Portugal refina a qualidade técnica
e junta-lhe a veia rematadora por força da chegada à
maturidade de um grupo de futebolistas de génio puro, pares
de todos outros grandes praticantes do Mundo.
Humberto Coelho comanda uma equipa que parece fadada para
grandes cometimentos. Joga de igual para igual com qualquer
adversário. Tem personalidades e personalidade. Talento e
ambição. Abundância de opções. Joga com confiança. Marca
golos (a equipa mais concretizadora da primeira fase até ao
momento). É um dos favoritos ao título, sem dúvida!
Quem seria capaz de admitir, há poucos meses atrás, um cenário
destes? Que não só poderíamos vencer os três jogos da
primeira fase como golear a Alemanha sem alguns daqueles
jogadores considerados cabeças-de-cartaz do futebol português?
E se nós próprios temos de admitir a surpresa, imagine-se o
respeito e a admiração que a qualidade desta selecção está
a granjear por todo o lado!
Humberto Coelho, por muito que lhe não faltem os críticos
sistemáticos das opções técnicas, está a conduzir a
equipa de forma segura e competente. Neste encontro poupou as
forças de uns tantos e libertou a vontade de todos os outros.
Temperou tudo com o regresso ao esquema táctico (de Wembley,
lembram-se?) dos três centrais, fez experiências várias e
teve a presença de espírito para lançar no jogo, a dois
minutos do fim, o único futebolista ainda não utilizado: o
terceiro guarda-redes, Quim. Na primeira fase já actuaram os
22 futebolistas convocados. Se Portugal cumprir o sonho de ser
campeão da Europa, todos têm direito à faixa...
A opção de fazer descansar alguns dos habituais titulares,
como tínhamos previsto, era a melhor, até para salvaguardar
a verdade desportiva da competição. Futebolistas empenhados
em lutar por um lugar têm, naturalmente, de evidenciar um
outro espírito e uma abordagem do jogo mais positiva, sem
qualquer retraimento. Foi isso que se viu no belo recinto de
Roterdão: uma equipa motivada, futebolistas a mostrarem ao
treinador que lhe querem dificultar as opções - e como
consequência um futebol de sonho, em especial na segunda
parte, técnico, vibrante, fantasista, empolgante.
A selecção nacional, independentemente de outras comparações
mais difíceis, tem hoje a capacidade competitiva que nunca
teve. Enfrenta qualquer adversário sem receio e mantém a
serenidade em todos os momentos. Seja qual for o resultado
final que vier a conseguir, esta equipa está já no lote das
melhores da Europa e do Mundo. Colocou toda a gente a falar
com entusiasmo e paixão da qualidade de jogo de Portugal.
Essa é uma conquista que não é de somenos. Por ela, todos
estão já de parabéns.
Humberto Coelho surpreendeu com o esquema táctico - 3x4x2x1.
Três centrais, Beto, Fernando Couto e Jorge Costa. Dois
flanqueadores, Sérgio Conceição na direita, mais ofensivo e
resguardado por Beto, e Rui Jorge na esquerda, menos expedito
a subir. Dois trincos, Paulo Sousa e Costinha, este na verdade
um jogador surpreendente em boa hora chamado à selecção.
Dois “interiores”, à moda antiga: Sá Pinto sobre a
direita e Capucho sobre a esquerda, apoiando um ponta-de-lança
(Pauleta) que mostrou capacidade para discutir um lugar na
equipa em todas as situações.
O treinador português fez uma opção engenhosa, à medida
dos jogadores disponíveis e, também, no fundo, regressando
à ideia com que há dois anos, frente à Inglaterra, pensou
poder lançar, mais rapidamente, as bases de uma equipa capaz
de ser mais ofensiva do que até aí. E ganhou mais essa
aposta.
A selecção alemã mostrou quanto hoje é respeitada a equipa
portuguesa mesmo num jogo em que está pré-anunciado o
recurso a futebolistas não habitualmente titulares. O
habitual 3x5x2 deu lugar a um efectivo e trapalhão 4x4x2, em
que Rehmer e Nowotny marcavam Capucho e Sá Pinto deixando
livre Matthaeus, mas em que Linke, face a Sérgio Conceição,
praticamente nunca subiu pela ala esquerda. Depois, num jogo
em que se tornava essencial vencer, também é de salientar as
cautelas alemãs, que deixaram de início no banco jogadores
como Kirsten, Haessler e Ziege.
Como estratégia, Portugal cedeu a iniciativa de jogo. A posse
de bola final dá conta disso mesmo: 41% para Portugal e 59%
para a Alemanha e esses números foram ainda mais claros no
primeiro tempo (35%/65%). A equipa de Erich Ribbeck (deve ter
feito a despedida, sem glória, ao mesmo tempo de Matthaeus)
dominou de forma inconsequente face a uma personalizada
defensiva portuguesa, na qual até Pedro Espinha demonstrou quão
infundados eram os receios de que não pudesse ser, em caso de
necessidade, uma alternativa credível a Vítor Baía.
Como estratégia, Portugal cedeu a iniciativa de jogo. A posse
de bola final dá conta disso mesmo: 41% para Portugal e 59%
para a Alemanha e esses números foram ainda mais claros no
primeiro tempo (35%/65%). A equipa de Erich Ribbeck (deve ter
feito a despedida, sem glória, ao mesmo tempo de Matthaeus)
dominou de forma inconsequente face a uma personalizada
defensiva portuguesa, na qual até Pedro Espinha demonstrou quão
infundados eram os receios de que não pudesse ser, em caso de
necessidade, uma alternativa credível a Vítor Baía.
Pauleta jogou sempre muito bem. Aos 32 minutos, sobre a
esquerda, ofereceu o golo a Sá Pinto, que falhou por pouco, e
até a Sérgio Conceição, que não acreditou na falha do
defesa germânico. Mas logo a seguir (35) os três mesmo
jogadores combinaram para o golo que deu início ao festival
de ataque lusitano e ao extraordinário “hat-trick” de Sérgio
Conceição. O jogador da Lazio mostrou como pode ser decisivo.
Como Figo e Rui Costa, tem a capacidade para decidir
resultados. Caminha direito ao adversário, enfrenta-o e
engana-o. Qualquer dos golos foi de classe e mostrou como o
jogador é completo: primeiro de cabeça, depois com o pé
esquerdo de fora da área passando vários adversários, por
fim com o direito depois de outra magnífica exibição.
Ribbeck lançou o ex-brasileiro Paulo Rink ao intervalo.
Depois chamou Haessler e Kirsten. Em vão! O futebol português,
mais brilhante, era um perigo permanente. O 4-0 chegou a estar
à vista e, enquanto isso, só por uma vez (remate de Rink,
59, ao lado) a Alemanha esteve perto de marcar.
A superioridade da equipa de Humberto Coelho teve períodos em
que marcou um enorme contraste com o futebol envelhecido e
previsível da Alemanha. O final foi mesmo penoso para os
ainda campeões da Europa, despedidos sem glória.
Depois da vitória frente à Inglaterra, Portugal voltou a
escrever uma das páginas mais bonitas do futebol português a
nível de selecções. E o mérito de tudo isto, comprova-se,
é cada vez mais de todos.
Fonte:
Record
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